Sexta-feira, Novembro 06, 2009

11 anos e trabalhando.. ou seria "a"trapalhando

Vocês podem pensar: "O que? Trabalhando com 11 anos? Como assim?"

Deixa... deixa.. eu explico..
No ano de 1994, eu estava na quinta série, meu irmão Cleyton na sétima, minha mãe cuidando da casa e mu pai trabalhando. Lembrando que morávamos dentro da empresa onde meu pai trabalhava.
Foi aí que eu comecei a futricar, mexiricar nas coisas do trabalho do meu pai. E ficava no escritório fuçando nos papéis, caminhando dentro da empresa em horário de expediente e observando como funcionava toda a empresa.
Chegavam carretas carregadas de fardos de lã de ovelha, os fardos eram de quase meia tonelada, uns menores de 350 ou 400 quilos. Esses carregamentos tinham que ser conferidos e organizados dentro do galpão da empresa, então meu pai ía com uma prancheta conferindo cada fardo e orientando o funcionário (operador de empilhadeira) onde ele deveria colocar o fardo. Era um serviço até que fácil e eu ficava observando tudo. Nessa época eu, bem metido, ajudava os caminhoneiros a desenlonar a carga, enrolar as cordas e as lonas. Servicinho pesado era esse.. mas eu até que gostava.
Não me atrapalhava na escola, pois esse ano eu estava muito bem na aula. Não arrumei encrenca com nenhum colega nem com professores e em comparação com o ano anterior, eu era um santo.
Passados alguns dias em que eu ficava "atazanando" meu pai para que ele deixasse eu conferir uma carga, ele deixou.. mas ficou ao meu lado em expiando. Mas tudo correu bem e foram tantas outras que eu ajudei a descarregar e aos poucos até orientava o empilhadeirista onde ele deveria colocar os fardos e tals.
Durante esse tempo eu, que ficava muito no escritório da empresa também... acabava atendendo o telefone várias vezes e o pessoal a Matriz da empresa já conhecia a minha voz e me chamavam de Celsinho (meu pai eles chamavam de Celso).... com isso eu "me achava" né...
Até que um dia meu pai teria que ir para Jacareí passar alguns dias lá... nem me lembro o quanto.. mas foi mais que uma semana.
Então nesse período, quem é que ficou cuidando da empresa? Hein, hein? O Cléricezinho aqui... haha..
Já imaginou 11 anos responsável pela filial de uma empresa grande como a Lavalpa S/A.. tá certo que anos depois ela faliu.. mas na época era grande. O dono da empresa nem era brasileiro, era francês, o Sr. Jaques Six. O filho dele que cuidava da empresa no Brasil chamava-se Jerome Six.
Olha o nome dos caras..
E a viagem do meu pai foi programada exatamente para coincidir com as férias de escola para que eu tivesse tempo para cuidar da empresa. Inicialmente, o pessoal da matrix desconfiou: "- Mas tem certeza que o Clérice é capaz? Será que não vai dar nada de errado?"
Bom realmente, dias depois eu fiz uma cagada.. mas não foi minha culpa e até então eu tinha feito tudo perfeito.
E eu recebia cargas, orientava onde colocar o carregamento, conferia, enviava fax para a matrix para conferir o dia de trabalho e foi o máximo.
Então, um dia precisavam de uma determinada qualidade de lã, que estava na nossa filial. Eu já tinha coordenado carregamento para a matrix, então pra mim seria moleza. Ficaram (o pessoal da matrix) na dúvida se me autorizavam a fazer o carregamento ou não... e me autorizaram. Mandaram um caminhão e eu comecei a separar o que seria carregado.
Tudo como foi pedido. E a nota fiscal do carga quem iria fazer era o Sr. Mário.. um senhor que fazia a contabilidade da filial do sul, mas ele não apareceu e o caminhoneiro enchendo meu saco, que queria a nota.. que queria sair hoje ainda... e não sei o que!!!
Afff...
Daí eu liguei pra Jacareí (matriz) e perguntei se poderia fazer a nota eles me passaram por fax exatamente como preencher. Não tinha como dar errado. E fiz. Daí, já de noite, com os portões da empresa fechados, o caminhoneiro resolve dormir na frente da empresa e sair no outro dia.. Me chama e pede pra mudar a data da nota.... foi aí que deu a MERDA.
Eu fui e meti "errorex", corretivo (ou branquinho, como queiram), na data e mudei.. pra ele parar de arrumar motivo pra me encher o saco... e pra qem não sabe: Nota fiscal não pode ser rasurada!!!!!!!!
No final sei que a carga ficou presa no primeiro posto fiscal que passou e a empresa teve que pagar uma multa desgraçada... que ainda bem não foi descontada do meu pai.
E isso foi apenas a metade do ano de 1994..

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Bom começo de adaptação

Depois de nos estabelecermos com nossa mudança, desta vez na Rua Protásio Alves, bairro Niterói - Canoas... ahá, ainda me lembro do endereço. Lembro ainda que era na esquina com a BR 116 e até hoje quando saio de Santa Maria do Herval (onde moro atualmente) para ir a Porto Alegre, fico olhando para o galpão onde morávamos e relembrando momentos que passei ali.
E então, começamos a tentar nos enturmar... com vizinhos, colegas de escola e principalmente as gatinhas, aliás... que gatinhas tinha naquela época.
Vamos falar primeiro dos amigos de vizinhança. Uma das casa onde frequentávamos era a do Fábio que tinha um irmão (só não me lembro o nome). Eles eram viciados em volei e foi aí que eu e o meus irmãos começamos a nos interessar por esse esporte. Até então não me lembro de ter algum incentivo para praticar nenhum esporte. Mas depois dessas amizades que fizemos, mudamos um pouco nosso comportamento... não deixamos totalmente o VIDEO-GAME de lado, aliás, era comum entre algumas partidas de volei nos fundos da casa do Fábio, partirmos para um joguinho no vídeo-game também, na época tínhamos um SUPERNINTENDO (SNES) e ele tinha um SEGACD, que, se eu não me engano foi o primeiro vídeo-game de CD que se tornou popular na época.
Ainda tinha o vizinho que ficava em frente a casa do Fábio na mesma calçada de onde nós morávamos, minha mãe principalmente fez bastante amizade com a dona da casa.
Aí tinha uma menina (não lembro o nome... Carolina ou Ana Carolina, sei lá.. até foto temos dela em casa) e o irmão dela (acho que era Rodrigo o nome) que moravam um pouco mais pra frente da casa do Fábio e jogavam volei com a gente de vez em quando também.
Outros que faziam parte das partidas de volei eram o Eduardo, paulista também que tinha se mudado a algum tempo para o sul como nós e tocava "acordeón"(gaita) em uma banda de música gaúcha (dá pra acreditar) , o irmão dele e uns outros irmãos que eram vizinhos da casa ao lado da do Fábio.. acho que eram gêmeos, ou muito parecidos... também não lembro direito.
Uma das coisas boas desse ano também era que meu irmão mais velho morava com a gente e já tinha interesse por música e tals. E, então com um galpão daquele tamanho, era frequente reunirmos os amigos para umas festinhas, com muito som.
Mas não era só festa esse ano...
Eu estava indo para a quinta série, estava começando a amadurecer no comportamento, afinal eu já não queria mais ser tratado como criança.
Aliás, foi uma bela mudança de comportamento. Em 1993, na quarta série eu estava aprontando tanto como filho, como aluno, enfim... eu estava encapetado... chegando ao ponto de em umas das vezes que minha mãe foi chamada na escola até ter sido "convidado a se retirar da escola"... é tava feio o negócio.
Em compensação esse ano de 1994 foi mesmo de mudanças.
Conto o que fiz para mudar no próximo post.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Pela 2ª vez no Rio Grande do Sul

E então, terminando o ano de 1993, nos mudamos mais uma vez para o Rio Grande do Sul, mais precisamente para a cidade de Canoas (a mesma da primeira vez). Dessa vez muito mais conciente. Posso dizer que foi muito boa esse tempo que passamo por lá.
Só pra entenderem melhor, aconteceu que meu pai anos antes havia sido demitido dessa empresa, a LAVALPA S/A., que nos levava para o RS. Mas como a Lavalpa novamente ia abrir uma filial no RS e não tinha nenhum dos diretores ou gerentes que se disponibilizavam a mudar de estado, então foram atrás de meu pai novamente. Foi assim que ele voltou pra Lavalpa e de quebra nos mudamos para o RS.
Dessa vez meu pai foi na frente, alguns meses antes, e preparou o local onde iríamos morar por um tempo. Novamente era dentro da própria empresa, em um galpão menor que o que moramos em 1988 no bairro Harmonia de Canoas. Neste galpão que ficava na esquina da Rua Protásio Alvez com a BR 166 (ou Av. Getúlio Vargas, que era a marginal que passava ao lado da BR), no bairro Niterói - Canoas, tínhamos uma parte onde era nossa moradia, bem pequena. Era apenas 2 cômodos na verdade, um quarto e uma cozinha. Eram grandes, mas não tinham muito luxo.
Mas mesmo com menos conforto que da outra vez, num local menor, sem ter escola particular paga pela empresa pra estudar, essa passagem pelo RS foi muito boa. Posso dizer que evolui muito e aqueles 2 anos foram fundamentais para a minha formação como pessoa em geral.
Eu fui o primeiro depois de meu pai a ir para lá (ou seria para cá, bom... sei lá) [Canoas]. Eu fui com um caminhoneiro de uma transportadora que meu pai tinha alguns amigos.
Quem estiver lendo e já teve a experiencia de viajar de caminhão a uma distancia dessas sabe do que eu estou falando, mas é uma das melhores viagens que tem. Você pode parar onde quiser, quando quiser e ver toda a paisagem, conhecer lugares. Enfim, foi muito bom. Aí já começou a mostrar que essa ida para o RS seria muito proveitosa.
Mas essa viagem guardaria mais surpresas:
O caminhão, que era uma carreta baú SCANIA 112 enorme (comprida e alta), tão grande que tinha alguns viadutos em São Paulo capital que tivemos que desviar, pois a altura limite ia ultrapassar. Estava carregada de produtos químicos da Rohm and Haas e por traz da carga estava nossa mudança (cama, colchão, guarda-roupa,...) sem ser declarada nada. Não sei até hoje se isso foi legal ou ilegal, mas chegamos assim em Canoas.
E então o caminhoneiro ainda em Jacareí, foi me buscar e seguimos viagem, eu, ele e a filhinha dele (acho que ela tinha uns 7 ou 8 anos, ou menos, sei lá). Paramos em alguns postos de gasolina com restaurantes para comer, e comida boa. Tem gente que fala que comida de beira de estrada é ruim... mas não onde nós comemos! E então, não é que quando chegamos no Paraná, o caminhoneiro me para em uma cidade lá e pega uma garota pra ir até o Sul com a gente!! (humm.. adivinhem se eu com 11 anos, já não desconfiei de nada...claro que eu percebi do que se tratava)
E veio então eu, ele a filha dele e a garota (ela devia ter de 18 a 20 anos) que ele pegou no Paraná. Paramos na praia em Santa Catarina, acho que ficamos algumas horas lá, brincando na praia... e em alguns momentos lembro que o caminhoneiro e a garota sumiram (hummm ... DESCONFIO [diria um amigo])
E então chegamos em Canoas, descarregamos a mudança e na noite que chegamos fizemos um baita churrascão. E imagina, em alguns momentos estavam eu, meu pai, os caminhoneiros que estavam lá no dia, uns caras que trabalhavam em uma oficina de funilaria de caminhões em frente... ou seja... só homarada... e então só saía besteira... e eu no meio..
E ficavam pegando no meu pé, pois eu tinha 11 anos, mas aparentava mais, pois eu estava começando a ter pelos nas pernas e tals... isso era até um pouco constrangedor. E aí falavam de masturb**ção, de sex* e de tantas outras coisas que eu não teria coragem de ficar comentando assim. Mas como só tinha homem por perto e todos estavam falando sobre isso sem "pudor" algum, eu me senti fazendo parte do clube e tão adulto quanto eles. E assim fui aprendendo algumas malícias.
E então vieram meus irmãos e minha mãe em outra viagem de caminhão. Quando eles chegaram, foi churrascada de novo.
E assim era, tudo era motivo de churrasco. Bom... estavamos no Rio Grande do Sul Tchê... nada mais normal.
E passou algum tempo, começamos a fazer algumas amizades nos vizinhos e nos matriculamos na escola.
E como eramos "forasteiros", começava a chegar um tempo em que era necessário se destacar de alguma maneira, de preferência, que fosse positiva.
Conto como foi o ano de 1994 no próximo post..

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Convidado a se retirar

Continuando a contar sobre as peripécias que aprontei quando era criança, no ano de 1993 eu cheguei ao meu auge na escola..

Estava então na 4ª série, naquela escola que anos mais tarde viria a ser chamada de "João FEBEM". O nome da escola era na verdade Escola Estadual de Primeiro Grau "João Feliciano", mas de tanta baderna (bagunça), foi ganhando esse apelido o que acabou se firmando mais quando aumentaram o muro para mais de 3 metros de altura e ainda com um alambrado sobre o muro com mais uns 2 metros de altura!! Eu acho que era maior que de uma prisão mesmo.

Nessa escola a gente aprendia matemática, português, história... mas também aprendíamos o que não presta também. E as amizades então... são as piores possíveis. Hoje é que a gente entende a preocupação dos pais com relação as amizades.
E eu, malandro que era, entrava na onda e ainda levava uns comigo. Foi como eu disse em outro post, EU NUNCA FUI SANTO. Sempre aproveitei o que a vida me ofereceu. E não posso discriminar alguma coisa que não tenha experimentado. Portanto, quando eu faço hoje meus comentários é porque realmente vivenciei e falo com propriedade.

Lembro de algumas vezes em que aprontei nesse ano. A programação era sempre a mesma. Primeiro sair cedo de casa com a desculpa de fazer trabalho escolar na casa de amigos, acabava encontrando com amigos para andar no centro da cidade, frequentar fliperamas, em uma dessas saídas eu experimentei cigarro, e não foi uma vez apenas, foram várias.... não tenho vergonha de contar..... hoje eu posso opinar com a credibilidade de quem já experimentou e sabe o que é.
Além de ir jogar fliperama, e fazer outras coisas erradas como roubar BIS no supermercado (o que na idade em que eu estava não era incomum pode acreditar) íamos muito para o clube de piscinas no qual um amigo meu era sócio.... eu não era mas nós, na malandragem, dávamos um jeito de eu acabar entrando.. passava as vezes um dia inteiro no clube. Sempre matando aula.

As notas até eram boas, dentro da sala de aula eu era um ótimo aluno... mas no recreio e fora da escola eu só aprontava... e minha mãe era sempre chamada na escola por faltas que eu tinha e não apresentava atestado nenhum.. foi aí que um dia em uma dessas chamadas na escola os professores disseram que seria melhor eu mudar de escola para não me prejudicar e prejudicar os meus colegas. Eu não havia percebido que eu estava influenciando meus amigos. Na verdade tínhamos um grupo de amigos que éramos uns pestinhas mesmo. Mas como eu tinha conciência do que eu estava fazendo, quando eu ouvi de minha mãe e meu pai o que eles tinha ouvido na escola sobre mim, indicando que eles estavam despontados comigo e tals.. eu decidi mudar.
E essa história eu continuo no próximo post...

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Aprendendo a malandragem 2

Talvez tenha ficado meio vago o título do post anterior, Aprendendo a malandragem. Na verdade eu estava me referindo a estar começando a largar interesses infantis para me interessar por coisas mais "adultas", ou diria, de adolescentes na puberdade. Alguns dos interesses de que estou falando é sobre namorar, paquerar e querer sempre parecer um pouco mais velho e experiente. Como se não fosse "ontem", que havia deixado de ser criança.
Desde então, estava eu sempre metido com meu irmão mais velho. Com suas amizades, que no geral eram de 3 a 6 anos mais velhos que eu, tinham outras conversas e interesses, inclusive alguns maus interesses.
Nessa época eu até cheguei a experimentar cigarro da mão desses meus amigos. Lembro das festas jovens em que participei, uma delas foi na garagem da minha casa. Meu irmão, que desde aquela época já era metido a DJ, programou sua festa, convidou os amigos, montou um iluminação e som. Sei que havia muitos casais namorando, se beijando. E eu era apenas uma criança, querendo ser adolescente, mas ainda criança. Naquela festa fiquei "segurando vela" pra todo mundo. Ainda lembro que tinha sempre aquela parte da festa em que se colocava umas músicas românticas, lentas. Aí os casais que ainda não tinham se ajeitado, começavam a dançar juntinhos e daí rolava o beijo.
Outra festa que teve foi na casa do Cristiano (amigo do meu irmão, Christian), da Viviane (que anos mais tarde viria a ter um filho com meu irmão) e do Nenê (irmão mais novo deles que era mais meu amigo). Nessa festa lembro que tinha bastante bebida, eu bebi também, mas o Christian bebeu de ficar louco. Tinha uma amiga nossa, a Kelly, que ele era apaixonado. E como ela não quis ficar com ele, ele bebeu todas. Isso não é novidade pra ninguém nessa idade, não é?
Quem não encheu a cara uma vez na vida por causa de um fora que levou de uma menina.
E assim foi aquele ano, toda semana pelo menos, eu e meus amigos e amigas da mesma idade, brincávamos de "moranguinho - morangão", que era como nós chamávamos a famosa brincadeira de "Salada Mista", que na verdade servia apenas para juntar os casaisinhos.
Outra coisa que gostávamos de brincar éra de Verdade ou Desafio, sempre com o mesmo objetivo.
Nessa época começou também a aumentar a tolerância dos meus pais com o horário de ficarmos na rua. Então sempre era escuro e ainda estávamos brincando. E com a noite, vem novas brincadeiras, como: esconde-esconde, cobra-cega, gato-mia... o que? Você não sabe como é a brincadeira do gato-mia? Vou explicar:
Primeiro, a brincadeira tem que ser de preferência em um quarto fechado e sem luz, senão serve em qualquer lugar que não tenha para onde fugir, mesmo que tenha luz (nesse caso quem vai pegar tem que estar vendado) mas não tem muita graça assim.
Segundo, uma pessoa é escolhida para ser quem vai ter que pegar.
As outras tem que se esconder dentro do quarto.
Quando a pessoa que está pegando encontrar alguém, que vai ser no escuro, e a pessoa não pode mais fugir. A pessoa que está pegando, passa a mão na outra pessoa pra tentar adivinhar quem é e diz: "Gato, mia!"
Então a pessoa que for pêga tem que imitar um gato: "Miiiiau".
E pelo miado quem ta pegando tem que adivinhar quem pegou. Se errar, continua pegando. Se acertar, aquela pessoa que foi pêga passa a pegar.
Qual a moral da brincadeira: ficar todo mundo no escuro, assim podendo namorar sem ninguém ver, e pra quem esta pegando poder passar a mão principalmente se for por sacanagem.

Agora acho que deu pra entender direito o porque desses 2 últimos posts terem o título de "Aprendendo a malandragem", né...

esperem o próximo post einh.

Domingo, Julho 12, 2009

Aprendendo a malandragem

Só pra não esquecer, vou contar como foi o últimos meses de 1992. Pelo menos eu acho que foi por essa época.
Essa foi a fase onde eu estava com bastante contato com o meu primo Anderson. Ele que era o "pegador", digamos assim. Sempre conseguia as melhores gatinhas. Ele vinha em finais de semana dormir em casa, eu as vezes ia na casa dele. E assim começamos a ficar até um pouco mais tarde na rua e paquerar as meninas do minha rua e das ruas próxima.
Meu primo era o mais adiantado, já começou a "namorar" com a Gabriela, uma super amigona que sempre considerei muito. Parceira mesmo. Até chegamos a trabalhar juntos, se é que aquilo podia se chamar de trabalho. Mas essa história eu ainda vou contar mais tarde.
Ela era (não posso dizer se ainda é, mas deve ser) bem bonita, confesso que eu também tinha interesse nela. Mas também, nessa idade, a gente tinha interesse em todas que eram bonitas. Cada dia eramos apaixonados por uma diferente. Hahaha. Quem não foi assim? Não é?
E passado um tempo, eu também me ageitei com uma menina da "rua de cima", a Ana Elisa. Era muito bonita também. E eu que, sinceramente, era bem feinho nessa época, me sentia um cara de sorte.
Digo bem feinho, porque nesse tempo eu não me preocupava com a aparência e não tinha roupas legais nem tênis de marca, na verdade nos últimos anos nós (família) estávamos passando por bastante dificuldades. E isso refletia em nossa aparência perante os outros. Roupas velhas, normalmente doadas por alguns conhecidos, cabelo mal cortado ou mal arrumado porque nem conhecia gel para cabelo. Ainda mais com o cabelo ruim que eu sempre tive. Alguém que me conhece hoje, consegue imaginar eu arrumar meu cabelo sem gel? Pois é, melhor não imaginar.
E foi nesse tempo que eu aprendi o que era beijar na boca e sentir atração por uma menina. Sabe aquela sensação de arrepio e o coração bater mais forte e mais rápido. E mão daqui e mão dali. Não preciso explicar mais nada né.
Apesar de não ter sido minha primeira namoradinha, a primeira foi a Érica, que morava em frente a casa de minhã avó paterna. E antes da Ana Elisa, tinha também dado uns beijinhos na Rose, que morava ao lado da casa de minha avó materna, em uma festa de final de ano.
Considero que minha "vida amorosa" começou com a Ana Elisa. Ela era mais nova do que eu, eu tinha 10 anos e ela tinha 9 ou 8, mas mesmo assim acho que ela que acabou me ensinando a beijar. Não que eu não soubesse, mas lembro uma vez que eu fui para beijá-la e pensando em dar um "selinho" e ela veio e me deu um baita beijo de novela. E eu só acompanhei né. Afinal era a primeira vez que eu beijava daquele jeito. E ela, pelo menos parecia, eu acho que tinha uma certa experiência. Até porque, sei que ela ja havia "ficado" com o Cizinho, um outro menino, mais ou menos da mesma idade que eu que morava na rua dos Crisântemos (rua que ficava em cima da de cima).
Mas nesse ano começamos a se empolgar com essa história de namorada e todas as festas que tinha, pelo menos uma (namorada) nós dávamos um jeito de arrumar. Era em festa de natal, de ano novo, são joão, na rua, na escola. Todas as meninas bonitinhas a gente atacava.
Lembro bem ainda, era natal ou ano novo de 1992, e nesse ano passei esses dias no bairro onde meu primo morava, o Jardim Paraíba. E ali sempre dava boas festas nesses dias. Na verdade, em Jacareí foi onde vi as melhores festas juninas, de natal e de ano novo. Em Jacareí, realmente sabíamos festejar. Mas voltando ao final do ano de 1992. Ali fizeram uns coquetéis alcoólicos, bem fraquinhos, para que pudessemos beber. E começamos a tomar aquilo, era umas batidas de "abacaxi + leite condensado + champanhe", ou combinações com outras frutas.
Logo estávamos "alegres" e sem um pingo de vergonha. Lá é comum os vizinhos entrarem nas casas dos outros para comemorar junto com a vizinhança. Entramos nas casa dos amigos (vizinhos) do meu primo e jogamos carta, comemos, assim, todos juntos como se a toda visinhança fosse uma grande família. E ao chegar perto a meia-noite, íamos fazer nossa "ceia" com a família, e passada a meia-noite saía todo mundo pras ruas comprimentar todos que encontrássemos. E beber, encontrar com os amigos, as meninas e começar a fase da paquera. Lembro que nesse ano chegávamos nas meninas e dizíamos: "Quer namorar comigo?", na verdade esse namoro seria o mesmo que o ficar de hoje. E acabei ficando mesmo com uma garota lá do bairro, não lembro o nome dela, mas quem sabe meu primo lê esse post, lembra que era e deixa um comentário. Vamos esperar!
E em 1993, quando já estava na 4ª série, apesar de sempre ter uma certa "admiração" por uma coleguinha que sempre estudo comigo (a Isamara), nesse ano que eu comecei a tentar demonstrar isso a ela. Talvez ela nunca tivesse notado e nem saiba disso até hoje. A um tempo atrás até tive contato com ela através do orkut. Mas como o tempo passou e cada um seguiu seu caminho, acabamos ficando apenas com lembranças da infância.


Tá muito tarde e vou continuar esse post num outro dia....

Sábado, Julho 11, 2009

Pré-adolescente - um pirralho sempre gosta de ser chamado assim

Sei lá porque demorei tanto pra escrever de novo. Talvez a morte de Michael Jackson tenha ocupado mais o meu tempo nas rodas de conversas e também tenho me divertido um pouco com jogos de computador (um tipo de fuga para minha cabeça escapar um pouco dos assuntos de trabalho).

Mas vamos continuar por meados de 1992, eu estava na 3ª série e estava completando 10 anos, uma década de vida e os interesses já não eram mais os mesmos. Além é claro da rebeldia que começava a aflorar, um pouco antes do que de costume na maioria das crianças eu confesso mas, como eu já coloquei em outro post, não sei se isso era bom ou não, mas eu estava um sempre um pouco a frente dos meus colegas.
Uma explicação pra ter conduzida dessa maneira minha infância, foi eu ser o mais novo de 3 irmãos e eu sempre me espelhar neles. O meu irmão mais velho, me influenciando um pouco com relação a músicas, atitudes (as quais eu considerava "maneiras"), malandragem e meu irmão "do meio" influenciando na questão escolar, visto ele sempre ter sido ótimo aluno eu não podia ficar atrás né. Isso eu já não posso dizer de onde eu herdei ou aprendi, mas nunca gostei de ser o segundo melhor. Era até bom quando havia algum tipo de concorrência do que quer que fosse, para que eu pudesse me dedicar e melhorar ainda mais para me tornar o "primeiro".
Nesse ano de 1992 tive bastante disse, na escola principalmente. Com o aumento das exigências na sala de aula, começavam a se destacar alguns colegas, meninos e meninas, por determinadas características como bons em matemática ou português, outros melhor em estudos sociais e ciências. E EU? Como ficava nisso tudo? Eu estava sempre me esforçando ao máximo para ser o melhor. Mas é claro que não vou mentir aqui, dizendo que fui melhor em todos os aspectos, mas confesso que dava trabalho para meus concorrentes.
Nesse ano ainda, acho que não falei ainda nesse assunto, mas teve as olimpíadas de Barcelona. Que mobilizou a escola, o bairro e todo mundo para o esporte. Eu sinceramente não consigo me lembrar de ter sido incentivado a praticar algum esporte, mas acompanhei boa parte das competições. Volei, natação, atletismo eram as minhas modalidades favoritas.
Inclusive lembro de ter assistido a final do volei masculino onde o jogo foi finalizado com o saque de Marcelo Negrão.
Nessa época eu começava a me interessar por volei. Basquete também era uma das modalidades que gostava de acompanhar e jogar. Na tv nessa época passava alguns jogos da NBA, e nas olimpíadas a sensação era a seleção norteamericana.
Jogávamos basquete e volei na quadra ao lado da escola Tito Máximo, que era aberta ao público, mas tinha horários reservados para oficinas de esportes variados. Lembro bem que tinha um "negão", que apelidamos de "Zóião da Quadra" pela maneira que olhava para os adversários enquanto conduzia a bola de basquete. Ele jogava muito bem e dava um baile em nós que éramos um bando de pirralhos enchendo o saco.
Basquete não era mesmo a minha praia. Não tinha muita habilidade, ginga e nem pontaria. Agora, volei eu até que me dava bem. Depois de aprender os fundamentos eu costumava fazer boas partidas. Mas nessa época ainda era muito novo para me dedicar a algum esporte, ainda mais como já disse, não tive nenhum incentivo (não digo financeiro e sim moral mesmo) para praticar esportes.
Ao contrário, o que acabava acontecendo era meu pai comprar outro vídeo-game, mais moderno e daí que não nos exercitavamos mesmo. Mas isso ele não tem culpa, porque vídeo-games sempre foi uma de nossas (minha e de meus irmãos) maiores paixões.
Nesse época acho que tínhamos um vídeo-game derivado do nintendinho 8 bits. Era o auge desse tipo de vídeo-game e tinha várias locadoras na cidade, eu tinha ficha em várias delas e podíamos alugar jogos que não tinha em casa ficar alguns dias e nos matar de tanto jogar.
E assim passava o ano, em minha rotina de criança entrando na pré-adolescência. Afinal, nada melhor para uma criança do que ser chamado de pré-adolescente, pois isso o faz parecer mais adulto que os demais e mais perto de ser dono do seu nariz.
Pelo menos foi isso que me causou esse título de pré-adolescente.
Resultado:
+ rebeldia
- estudo
+ interesse por garotas
- tempo dentro de casa

E isso tudo é claro colaborando para que eu conhecesse os prós e contras da vida e moldando, construindo o que sou hoje.
Está chegando perto de revelar partes interessantes da minha história, nos próximos posts.

Agradeço o interesse de quem lê o que escreve e cuide para não usar como exemplo tudo que escrevo aqui.
kkk
até a próxima