E então.. quis o destino que eu tivesse uma passagem por Jacareí novamente. Agora já crescido (Nossa! Nem tanto...), com 13 anos completos e entrando em 1996 ano que faria 14 e já poderia trabalhar. Depois de ter pegado gostinho pelo trabalho em Canoas, eu estava ansioso para que chegasse logo meu aniversário para que ao completar 14 anos eu pudesse tirar minha CTPS e arrumar um emprego.
Mas antes de tudo isso, eu tinha que me readaptar a cidade. Apesar de sempre nas férias de verão e de inverno, enquanto estava em Canoas-RS, eu ter vindo para Jacareí na casa de parentes, voltar a morar na cidade, estudar e encontrar amigos de escola não era a mesma coisa que um simples passeio de férias.
Uma das mudanças nessa nossa chegada a Jacareí foi que antes de irmos para o Rio Grande do Sul, tínhamos casa própria. Uma casinha simples no Jardim Paraíso, que meu pai vendeu no período em que estávamos no Sul. Então, tivemos que nos mudar para uma casa onde moravam: minha avó (Dna. Santa), meu tio Sérgio, minha tia Marlene e os meus primos. Com o dinheiro que meu pai tinha economizado durante nossa estadia no RS ele construiu 2 cômodos e banheiro para a minha avó. Bem caprichadinhos ficaram os cômodos e minha avó passou a morar ali, enquanto nós, morávamos na parte mais velha da casa (não que fosse ruim).
Nesse ano eu não voltei para a escola em que tinha estudado até 1993 e sim me matriculei no CENE, ou melhor EESG "Dr. Francisco Gomes da Silva Prado". É claro que eu conheci logo vários colegas de escola, mas por ser muito grande, tive que me readaptar do 0 (zero) mesmo. Foi um ano em que comecei a me interessar mais ainda por Voleibol, pois na escola jogávamos bastante.
Neste ano, foi quando me dei conta de algumas coisas que antes passavam despercebidas pra mim. Principalmente com relação a condição social de minha família. Éramos pobres e eu só fui mesmo perceber isso a partir desse ano. Explico:
Antes, da 1ª a 6ª série, eu usava os materiais escolares mais simples, mais baratos. Roupas, sempre eram de liquidação, brechós ou ainda que ganhávamos das "patroas" da minha mãe (que trabalhou muito tempo de empregada). Tênis, na maioria das vezes tínhamos 2 pares, não que eu tivesse 2 pares, tínhamos 2 pares para eu e meu irmão Cleyton. E íamos trocando, um dia ele ia com um e eu ia com outro e vice-versa. Nada que eu usava era novo, vistoso, bonito.... era no máximo..."limpinho".
E então, comecei a notar nesse ano, o preconceito e a discriminação que os mais "playboyzinho" tinham com os mais pobres. Isso me fez, usar de outras artimanhas para ser "um" do grupo. Deixei de ser tão tímido, e passei a ser bem participativo. Eu conversava com todos, principalmente com as meninas. Meninas com 2 ou 3 anos a mais que eu estavam comigo, conversando e tals. E isso fez com que eu me adaptasse rapidamente, além de fazer vários novos amigos.
Mesmo assim, eu ainda precisava usar ou ter alguma coisa que me aproximasse da situação social dos outros colegas que eram um pouco mais abastados. Então, começou aquela fase de empresta roupa daqui vai um tênis de lá. E principalmente meu primo, que era filho único, e vivia andando com tênis e roupas de marca, nos emprestava ou nos dava o que não usava mais. Lembro de que ele sempre me emprestava um tênis Mizuno, algumas camisas da Zapping e umas calças da BadBoy... e ele se vestia sempre assim. Já eu, era só quando ele tinha a bondade de me emprestar.
No entanto, eu fui conquistando meu espaço, e nesse ano comecei minha experiência em ficar com algumas meninas.
Todas as festas da escola, ou festas de são João, Fapija, parque de diversões que tinha na cidade lá estávamos nós, eu e meus amigos caçando meninas para dar uns amassos.
Até que dentro de minha turma, tinha uma garota, Daniele... que estava afim .. e eu também.. e começamos a "ficar sério".. e por coincidência ela ainda morava na mesma rua que eu.. então.. era beijos e mais beijos .. todos os dias..
Conto mais sobre esse namorinho, quer dizer.. namorão..no próximo post
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