É até aqui, tudo muito bom, tudo muito fácil...
Sempre estudei no período da tarde, do pré a sétima série. Acordava quase meio dia. Não fazia muita coisa além de ajudar um pouco na arrumação da casa, ou cozinhando alguma coisa. Nenhum sacrifício, já que minha mãe sacrificou a sua vida profissional para cuidar da casa e dos filhos, portanto, sempre a tivemos por perto fazendo de tudo para nós.
Mas em 1997, mas precisamente em 1º de fevereiro, eu comecei a trabalhar na Sorveteria Crenata, no horário das 15:30 às 23:30, o que me fez ter que mudar meu horário de escola para "de manhã". E assim começou o sacrifício, afinal, pra quem nunca precisou acordar cedo, isso foi um sacrifício. Posso dizer que se não fosse meu despertador (minha mãe) me tirar da cama toda manhã eu não iria conseguir.
E assim era de manhã, minha mãe me chamava as 1 hora antes de eu ter que ir pra escola, dizendo que faltava 15 minutos. Hahaha! O ano inteiro eu caí nessa pegadinha dela e dava um pulo da cama, com medo do atraso.
E depois que eu chegava da escola, almoçava eu ia dormir mais um pouco pra depois trabalhar. E lá ia minha mãe de novo, me acordar dizendo que eu estava atrasado e eu pulava da cama, sofá ou do colchão do chão.. seja onde eu estivesse, com medo de perder o emprego.
E olha, vou deixar as coisas boas de trabalhar e estudar para outro post, vou contar nesse só o que tem de difícil.
Primeiro eram os horário. Pense! Acordar as 6, estudar até as 12, descançar até as 15 e trabalhar até as 23:30. Isso resumindo. Sem contar os dias em que tudo isso acontecia. Se alguém acha que eu teria direito a pelo menos o final de semana para descançar, está enganado.
Essa rotina se dava todos os dias, a não se nas quintas-feiras que eu tinha folga no trabalho e nos sábados e domingos eu não tinha o compromisso da escola. Mas assim que comecei a trabalhar, uma coisa que sempre quis foi fazer um curso de informática, e com o meu salário consegui realizar esse desejo. E que dia eu poderia fazer o curso? Quinta-feira de tarde? Sábado ou Domingo de manhã?
Quinta, só quinta, não dava.. não tinha curso só nesse dia. Sábado de manhã, eu jogava volei. Me sobrou o domingo e tinha uma turma das 8 as 11 na Microcamp, e foi pra lá que eu fui.
Então resumindo me sobrava livre, só a quinta-feira de tarde que era a minha folga no trabalho, isso se na quinta-feira não caísse um feriado, pois nesse caso a regra na Crenata era:
"Ninguém folga em feriado ou final de semana, se a folga cair em um feriado a folga será trocada para outro dia e o funcionário trabalha na folga"
E se eu não me engano isso aconteceu naquele ano. Só não sei que dia foi.
Sei que no começo eu nem percebia a falta de tempo de descanso, mas com o passar dos dias, das semanas essa sobrecarga de trabalho e estudo foi me deixando meio pirado, estressado. Tanto que no final daquele ano eu já estava louco pra se mandado embora daquele serviço, louco pra terminar o ano escolar e chegar logo as férias. E pra terminar a parte ruim daquele ano fatídico (o que não quer dizer que só coisas ruins aconteceram), quando chegou os feriados de Natal e Ano Novo, eu descobri que aquele excesso de trabalho ainda não era nada, o pior estava por vir. A Crenata que já não havia fechado sequer 1 dia no ano, abriria também no Natal (25/12) e no Ano Novo (01/01), e seria feito um sorteio formando 2 equipes entre os cerca de 14 funcionários que tínhamos naquela época. Uma equipe trabalharia no Natal e outra no Ano Novo somente apartir das 15 horas (pelo menos não abriria de manhã). E eu foi escalado para trabalhar no Natal. Mas não fui! No dia 24/12 peguei uma excursão para a praia e voltei no dia 28/12. Voltei para o trabalho, só para ser demitido. Rá! Naquele dia eu saí felizão de lá, mas depois, quando arrependimento. Até fui outras vezes lá sugerir que me recontratassem, mas outra política da empresa era:
"Jamais recontratar ex-funcionários"
Ou seja:
"Você teve sua chance, não aproveito, agora, FODA-SE"
E era mais ou menos com essa cara que eu era recebido quando aparecia por lá com cara de cachorro-sem-dono. Mas deixa! Isso foi bom pra eu aprender.
No próximo post eu vou falar das coisas boas daquele ano. Mesmo no pouco tempo que tinha, fiz muita coisa boa e até mesmo no trabalho e na escola. Muitas histórias. Quem sabe rende mais que um post. Vamos ver.
Até
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