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Quinta-feira, Maio 26, 2011

Decepção - foi essa a palavra da mudança

Depois de algum tempo, resolvi terminar o assunto que comecei no post anterior.
Continuando de onde eu parei, que foi eu ter chegado em casa e meu pai ter me botado pra rua, pra procurar um serviço (emprego). Então...
Saí de casa aquele dia, mal.. mal mesmo. Tinha virado a noite bebendo e chegado as 7 horas da manhã, imagina o estado em que eu estava! Mas, como sempre eu digo, não me arrependo dessas "presepadas",
ou aprontadas, que dei na minha vida, afinal todas essas experiências serviram para formar o que sou hoje e, sinceramente, não estou desapontado com o resultado.
E então fui eu para procurar emprego. Cheguei na praça Conde Frontin, me sentei num banco da praça, cruzei os braços sobre os joelhos, e abaixei a cabeça... acho que cheguei a cochilar alguns minutos. Dei uma volta pelas redondezas e vi que realmente não tinha condições nenhuma de continuar com aquilo e então, voltei pra praça. Isso já era quase umas 10 horas da manhã, então que um anjo caiu do céu, a Jéssica, uma amiga minha me encontrou na praça, expliquei a ela o que havia acontecido e ela me convidou para ir a casa dela e descansar um pouco por lá. Foi o que fiz! Eu já havia ficado com ela algumas vezes e ela estava com segundas intenções sim. Mas eu estava sem condições nenhuma de corresponder. Decepção pra ela.
Fui pra casa, pouco falei com meu pai sobre o assunto.. Na verdade eu já tinha tido a minha lição. Chegar em casa as 7 da manhã e ser proibido de dormir.. o castigo já estava de bom tamanho. Pra mim era o suficiente, mas não pro meu pai. Ele tinha que dar um jeito de mudar meu comportamento, antes que fugisse ao seu controle.
E passado uns dias, ou semanas não me lembro bem, meu pai me chamou pra uma conversa. E foi "a conversa".
Começou com meu pai me dizendo que seria uma conversa mais de homem para homem do que de pai para filho. Isso acabou me deixando livre para opinar enquanto ele falava, sem que ele se ofendesse ou considerasse um desrespeito, como eu vejo acontecer com muitos pais (que não permitem aos seu filhos argumentarem e defenderem-se). E meu pai, por mais informações desencontradas que ele tinha, ele nos conhecia (eu e meus irmãos), não havia como mentir pra ele. E eu havia aprontado demais naqueles últimos dias, era bebida, cigarro, e eu bobo, ingênuo achava que o cheiro do cigarro não ficava na roupa e não era sentido pelos meu pais. Então ele começou a conversa com a seguinte frase: 
"Você era a minha última aposta, mas agora eu estou DECEPCIONADO. Você me decepcionou. Trabalhava, e foi demitido, sempre estudou direitinho e abandonou a escola por um ano sem motivo. Eu nunca esperava isso de você."

E então, eu gelei por dentro, foi como se eu tivesse morrido naquele momento, e tivesse nascido de novo, pra fazer tudo certo e não dar motivo pra decepcionar novamente meu pai. E ele continuou, desta vez acusando:
"Você está usando droga, está todo mundo falando isso. Você fica andando com esses traficantes pra baixo e pra cima. Graças a Deus eu nunca vi nada, porque se um dia eu ver, mesmo sendo meu filho eu vou lhe entregar pra polícia"
Nesse momento, ele estava falando muito sério, quase sem dar chance pra que eu me defendesse. Mas uma folga nas palavras dele eu eu me defendi dizendo: "São mentiras que estão lhe contando e realmente alguns amigos estão envolvidos com drogas mas isso não quer dizer que eu também esteja".
Acabamos nos entendendo assim, ele me acusou, eu me defendi. Lembro que eu chorei e acho que meu pai também não segurou as lágrimas nesse dia.
No final, essa foi a conversa acabou sendo mais importante que tive com meu pai em toda a minha vida. Pois, mesmo com toda a "boa educação" que ele tinha me dado e continua me dando até hoje, faltava essa DURA, pra que eu cuidasse mais das minha atitudes. Para que nada que eu fizesse fosse de encontro com os princípios de caráter, honestidade, hombridade que ele [meu pai] e minha mãe sempre nos ensinou e os DECEPCIONASSE.
Eu acho que é isso que nós, temos como norteador em nossas vidas, nunca decepcionar nossos pais, responsáveis e pessoas que amamos. Assim temos sempre um bom motivo para sermos pessoas exemplares em educação,  honestidade e caráter.

Até mais,
Clérice

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